| ARTIGO CIENTÍFICO |
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COMUNICAÇÃO INCLUSIVA NOS DIÁRIOS SERGIPANOS
ANDERSON BARBOSA
*Graduado em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Tiradentes, em 05 de julho de 2005.
RESUMO: O espaço que os veículos de comunicação tem dedicado a cobertura do tema “pessoas com deficiência” ainda é pequeno se comparado ao número de pessoas que podem ser incluídas nesta questão. Hoje, no Brasil, este público corresponde a cerca de 14% da população total, mas ainda assim, encontram dificuldades para se manter informado. O fato é que não existem veículos de comunicação inclusivos, que respeitem as individualidades e os direitos de cada cidadão. Em Aracaju, assim como em outras partes do país, os jornais diários dão pouca importância ao tema e muito menos reservam cadernos especializados para ampliar as discussões. Nas vezes em que se publicam matérias com este enfoque, muitos deslizes, principalmente da ordem de nomenclatura, são cometidos, um problema que não se deve exclusivamente ao profissional da comunicação, mas a falta de mecanismos que possam lhe servir de apoio neste tipo de produção. Um outro dado importante é que por trás de tudo isso tem a questão do preconceito, ainda muito latente em nossa sociedade.
PALAVRAS-CHAVE: Comunicação, Deficiência, Inclusão, Jornal, Sergipe.
ABSTRACT: The space that the communication vehicles have been dedicating to the theme " people with deficiency " is still small if compared to the number of people that can be included in this subject. Today, in Brazil, this public corresponds to 14% of the total population, but nevertheless, they find difficulties to stay informed. The fact is that inclusive communication vehicles dont exist, that respect the individualities and each citizens rights. In Aracaju, as well as in another parts of the country, the daily newspapers give little importance to the theme and much less they reserve pages specialized to enlarge the discussions. In times that journalistic texts are published with this focus, many errors, mainly of the nomenclature order are made, a problem that is not due to the professional of the communication exclusively, but the lack of mechanisms that can serve as support in these types of productions. Another important data is that behind all this still has the subject of the prejudice, it is still latent in our society.
KEYWORDS: Communication, Deficiency, Inclusion, Newspaper, Sergipe.
INTRODUÇÃO
Mesmo nos últimos anos o tema “inclusão social de pessoas com deficiência” ter adquirido destaque em alguns meios, a mídia impressa ainda não despertou para a importância de se fazer uma comunicação centrada nos integrantes da sociedade, que na maioria das vezes ficam à margem das discussões ao seu redor.
Apesar da Lei exigir que os veículos de comunicação reservem espaços, e em alguns casos, que todo o processo esteja voltado para a comunicação inclusiva, ainda existe uma resistência explícita, seja por parte dos editores, repórteres ou mesmo da aproximação entre fontes e a imprensa, que deixa de abordar os direitos das pessoas com deficiência.
Os dados mostram que já está mais do que na hora de se fazer um jornalismo com responsabilidade social, ainda mais quando os números mostram que este público tem crescido significativamente. Hoje, 24,5 milhões de brasileiros (14,5% do total da população) engrossam as estatísticas das pessoas que apresentam algum tipo de deficiência. Em Sergipe existem 285.823 pessoas com deficiência (16% do total da população total), sendo que em Aracaju o número é de 67.534 pessoas (14,63% da população total).
É fato também que este público, por não encontrar uma sociedade preparada para respeitar as diferenças, acabando excluída do contexto social e tachado, erroneamente, de “incapaz” para o desenvolvimento de uma vida ativa.
A quantidade de matérias publicadas sobre o tema é mínima, se levado em conta o número de informações que circulam diariamente na imprensa escrita nacional. Quando observada a imprensa diária aracajuana verifica-se que a cobertura sobre o tema deficiência não difere da realidade nacional, quando a relação com o leitor deveria ser a mais estreita possível. Não bastasse a pequena quantidade de matérias, a qualidade das notícias também deixa a desejar no quesito de relacionamento com o público-alvo.
Mas em meio a toda essa problemática, ainda é possível encontrar a saída para que a informação atinja a sua excelência e possibilite que todos possam compartilhar do ideal da sociedade inclusiva , onde as barreiras da comunicação deixarão de ser causa de exclusão.
O jornalismo tem por natureza uma função social que deve ser perseguida por todos os profissionais que se aventuraram em seguir esta área das Ciências Humanas. Cumprir com esta função significa ter os olhos bem abertos para aquilo que acontece ao seu redor, interferindo na vida das pessoas motivando a reflexão.
É em função disso que os profissionais de jornalismo, em especial aqueles que lidam com a produção diária, precisam ter os olhos bem abertos para todos os acontecimentos. Alguns autores defendem inclusive que o jornalismo deve defender uma bandeira, que deve ser a do compromisso como seu público, oferecendo subsídios que lhe sirvam de apoio para se autogovernar e tornar-se independente.
No caso das pessoas com deficiência, esta necessidade de informação ainda é maior, já que a cobertura quanto ao tema é muito carente. Portanto, deve ser o jornalismo e os meios, que se utiliza para difundir suas produções, encarados como um fórum de debates onde os fatos precisam ser discutidos exaustivamente para que apoiado no tripé da veracidade, fatos e verificação, caiam os preconceitos e suposições que só contribuem para o prolongamento de uma cobertura que preferencialmente elege um determinado público como sendo o melhor ou o mais perfeito. Na sociedade inclusiva, todos são iguais e devem ter a mesma a atenção, porém a necessidade de criar espaços para as minorias se deve justamente pela inexistência de meios com eles comprometidos.
1 – A realidade da “deficiência” nos diários sergipanos
Quem está acostumado a acompanhar as publicações dos jornais brasileiros certamente já notou a diversidade de assuntos que são abordados diariamente: finanças, saúde, educação, construção civil, política etc. São tantos assuntos que os editores precisam fazer uma seleção do material que interessa ser publicado. Um dos pontos levados em consideração é mesmo a relevância do tema, a repercussão que pode trazer e se é de interesse público. Nesta escolha, muito material interessante fica de fora e daria para publicar uma outra edição.
Para o ser humano, a comunicação é motivo de sobrevivência, ainda mais para aqueles tidos como “diferentes”. Segundo Dines (1986), o homem busca na comunicação formas de estar informado, aplicar o conhecimento em comunidade e estar pronto para se defender quando for o momento certo, uma espécie de resistência àquilo que vem do exterior. O autor apontou o jornal como a melhor forma de facilitar a sobrevivência em sociedade, porque pelo impresso a comunidade pode ser ouvida e denunciar os problemas nela existentes. Se isto fosse levando em conta pelos que fazem parte dos jornais, certamente teríamos uma outra história da sociedade (DINES,1986, p. 97).
Atualmente em Sergipe existem três veículos de comunicação impressa como características de diários, são eles: Correio de Sergipe, Jornal do Dia e Jornal da Cidade. A análise que este artigo faz foi feita apenas levando em conta os dois jornais mais antigos e de maior circulação, ficando de fora o Jornal do Dia.
Durante todo o mês de março de 2005, diariamente os jornais Correio de Sergipe e Jornal da Cidade foram monitorados em suas edições para que fosse possível traçar um perfil da cobertura que os impressos dão ao tema deficiência, já que se tinha dados referentes a uma pesquisa realizada no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2002 pela Fundação Banco do Brasil e pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) que fizeram um levantamento em 53 jornais das cidades brasileiras, incluindo o Correio de Sergipe e o Jornal da Cidade.
A pesquisa nacional levou em conta para sua análise os dias compostos (normais) e datas especiais (comemorativos), chegando à conclusão que nos meses compostos, o tema deficiência apareceu como Foco Central (262 vezes) e Foco Secundário (485 vezes). Nos dias especiais o Foco central (145 vezes) e o Secundário (300 vezes). No total: Foco Central (407 vezes) e Foco Secundário (785 vezes) (NERI, 2003).
Os dados levantados nos estados do Pará e Sergipe chamaram a atenção dos pesquisadores. Os jornais “Diário do Pará” (PA), “Correio de Sergipe” e “Jornal da Cidade” (SE) não apresentaram textos nos dois itens pesquisados, comprovando assim que ainda existem muita falta de informação por parte da imprensa que acaba contribuindo para a dependência das pessoas com algum tipo de deficiência, as quais não encontram identificações no conteúdo das matérias publicadas.
O trabalho traçou um perfil de quanto e como os jornais estão abrindo espaços para o tema, mostrando até que ponto o assunto é discutido, como os profissionais e os próprios acadêmicos, que em pouco tempo estarão ocupando as vagas nas redações dos jornais brasileiros, podem contribuir para a qualificação deste tipo de notícia.
Segundo a Declaração de Salamanca (1994), a mídia, neste caso o jornal impresso, é de fundamental importância para promover a integração das pessoas com deficiência na sociedade. Através do material que é divulgado, torna-se possível superar preconceitos e má informação.
A pesquisa que este estudo realizou em 2005 serviu para verificar o que mudou de 2002 até agora. O resultado não foi dos melhores, mas pelo menos o número de matérias teve um aumento significativo na abordagem primária e secundária ao tema deficiência, mesmo que na maioria das vezes tenham sido utilizados argumentos que serviram para acentuar ainda mais a discriminação social.
Das 25 edições que circularam em março de 2005 no Jornal da Cidade (Jornal - A) e 24 do Correio de Sergipe (Jornal- B) foram contabilizadas 31 matérias, sendo 15 matérias no A e 16 no B. Foram consideradas matérias que trataram do tema inclusão de pessoas com deficiência as que citaram, de forma primária ou secundária, o tema. Obedecendo estes critérios, chegou-se a conclusão que no Jornal da Cidade das matérias publicadas 10 foram tema principal e apenas 5 secundário. Já no Correio de Sergipe houve uma inversão, 7 tema principal e 9 secundário.
Frente a esta análise, concluiu-se que o jornalista sergipano, não por culpa dele, mas pela situação a qual é lançado diariamente para exercer sua jornada, não está preparado para trabalhar temas que envolvam pessoas com deficiência. No mês de março de 2005 se observou uma cobertura generalizada e cheia de preconceitos, principalmente no que se refere à nomenclatura utilizada para se referir a este público.
Sobre a cobertura da imprensa escrita sergipana, o presidente do Conselho Estadual do dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência de Sergipe, Cláudio José de Brito, observa que pouca coisa tem sido dita sobre o portador de deficiência no Estado.
Nós temos casos aqui que só põe na mídia quando acontece alguma coisa esdrúxula ou maus tratos, mas a gente não quer isso. Nós queremos que a imprensa se envolva para divulgar a população na questão do tratamento, na questão dos direitos do portador de deficiência, na questão de identificar e fazer as denúncias que sejam necessária para que o poder público tome conhecimento, ou se houver abuso do poder público, que seja denunciado pela imprensa, que também é importante. A imprensa para tem um papel fundamental par nós, porque vai ser o elo de divulgação de tudo que estamos fazendo, o que queremos fazer e o que o deficiente necessita realmente que é ser incluído na área educacional, saúde e principalmente na área do trabalho.
A exposição de forma esdrúxula nas páginas dos jornais, destacada pelo presidente do Conselho, foi um dos problemas encontrados neste pequeno levantamento, além do não uso da legislação, que se citadas reforçariam o tema e ajudara a formar uma discussão política sobre a importância de se respeitar à aplicação da lei, como forma de fazer valer os direitos das pessoas com deficiência que estão garantidos na lei, a exemplo da Constituição Federal. O desconhecimento da nomenclatura mostra que ainda há muita desinformação por parte de quem faz a imprensa, ao não dominar as formas mais apropriadas para se referir as “deficiências” e as “pessoas com deficiência”. Daí a importância de existirem grupos, criados nas associações, para ajudar aos que estão na condição de repórter através, por exemplo, da indicação da melhor palavra a ser utilizada, do acesso à legislação, etc. É o que acredita uma das fundadoras do Instituto Pedagógico de Apoio à Educação de Surdos em Sergipe (IPAESE), Geórgia Poderoso, que também é mãe de uma menina que é deficiente auditiva.
A percepção não deve ser apenas esperada do jornalista, porque as matérias são muito dinâmicas e o profissional tem que está escrevendo rapidamente porque o mundo está em uma velocidade estúpida. Vejo que tem que ser uma troca, principalmente para os que participam de associações e outras ONGs. (...) A escrita ela é importantíssima, existem canais de revistas, jornais, mas ainda acho muito pouco. Não é uma abordagem excessiva. Acredito que o surgimento de um jornal, de um veículo de imprensa escrita voltado para este tema vai facilitar e muito a divulgação, porque será mais uma oportunidade, vamos dizer assim, dessa classe de deficientes de ter voz. De ter uma forma de dizer ‘olha eu existo’, ‘vai ter um evento assim’, ‘existe uma luta, uma organização’.
Ainda se falando em nomenclatura, pode ser observado que em várias matérias apareceu o termo “doente mental”, quando o jornalista deveria ter escrito “pessoa com deficiência mental”, diminuindo a carga de preconceito e incapacidade que ainda pode ser observada na sociedade. (edições do Jornal da Cidade – 2 e 8 de março; e Correio de Sergipe - 8). Usar apenas o termo “deficiente” também acarreta um ar negativo e pode ser observado, só é dispensado, segundo o MÍDIA e Deficiência: manual e estilo (1996), em casos de títulos, já que há um certo limite de caracteres para ser expresso. Aparentemente são coisas simples, pequenas, mas que fazem uma diferença enorme quando se parte para a prática.
Em uma matéria publicada no Correio de Sergipe, do dia 13 de março de 2005, o jornalista, na matéria esportiva “Corrida Cidade de Aracaju atrai bons corredores”, cita um trecho do depoimento de um entrevistado que está cheio de preconceito onde é dito que “o objetivo do evento é incluir esses corredores ou competidores é mostrar que mesmo em eventos com presença de corredores de alto nível, pode-se fazer valer o espírito de cidadania, segundo declarações dos organizadores”. O termo “corredores de alto nível”, ali aplicado, mesmo sendo colocado na voz dos idealizadores do evento, acaba dando a entender que não existem pessoas com deficiência de um excelente nível para competir, o que sabemos que não é bem assim. As Paraolimpíadas de 2004 mostraram que os atletas, dito “diferentes”, trouxeram mais medalhas que a comitiva formada por pessoas sem deficiência.
Como exemplo do Jornal da Cidade pode ser citado o caso de um preconceito verificado na edição de 8 de março, na matéria “Vigia de prefeitura é suspeito de assassinar doente mental”. O texto diz que “o doente mental Felipe Eduardo Menezes, 24 anos, foi morto possivelmente por asfixia ao entrar no prédio da Prefeitura e o acusado é um vigilante”. A ressalva aplicada ao Correio de Sergipe também é válida a este exemplo.
É preciso que também se esclareça que ao trabalhar o tema pessoas com deficiência não quer dizer que está sendo feito um favor deste público, pelo contrário, está apenas pondo em prática um direito que lhes é assegurado pela Lei. Só para observar algumas leis de alcance federal temos: a Constituição Federal de 1998, que no título II, dos Direitos e Garantias Fundamentais, no Capítulo II, dos Direitos Sociais, reza que a discriminação de salários e critérios de seleção do trabalho de pessoas com deficiência é crime, além de atribuir a União, Estados, do Distrito Federal e dos Municípios oferecer saúde e assistência pública, proteção e garantia das pessoas portadoras.
Desde o início de 2003, o projeto do Estatuto da Pessoa com Deficiência, de autoria do senador Paulo Paim (PT/RS), tramita no Congresso Federal e se aprovado será a maior vitória que estas pessoas já podem ter obtido em todos estes anos de luta. Com isso, será fortalecido o debate da inclusão social e se ampliará à área de atuação dessas pessoas, que passarão a ser vistas com um outro olhar, o de que são capazes de desenvolver suas atividades profissionais, ocupando espaços importante na sociedade, como também direitos básicos do cidadão com acesso a Saúde, Educação, Moradia, Pensão, entre outros, sem que para isto tenham de mendigar para ter o reconhecimento da sociedade, já que são garantidos pela Legislação Brasileira.
Segundo o “Manual sobre Desenvolvimento Inclusivo – Para Mídia e Profissionais de Comunicação”, é dever da imprensa desempenhar a tarefa de refletir os temas relacionados às pessoas com deficiência e contribuir com a melhoria de vida destes cidadãos. “A idéia principal é: pessoa com deficiência geram capital social e são agentes do próprio desenvolvimento” (WERNECK, 2004).
A função social, que trata este estudo, basea-se no fato de desde a sua criação ser o Jornalismo um importante meio difusor e propulsor de mecanismo que pode intervir positivamente nos acontecimentos da sociedade.
A própria história prova que a mídia sempre teve a sua função social bastante presente no desenrolar dos fatos. Desde que surgiu, a imprensa teve um poder grande de mobilização popular, de fazer as massas abraçarem uma causa e lutar para que a mesma venha a acontecer. É nesta brecha que o jornalismo social pode e deve se firmar pelas causas da população que necessita de políticas que realmente contribuam para a sua melhoria de vida.
A comunicação tem o seu móvel na luta pela sobrevivência. O homem se informa para poder municiar-se devidamente e resistir. O jornal, pela periodicidade diária, é o melhor instrumento desse material utilitário, o serviço, que vai tornar a existência, na sociedade organizada, possível e mais fácil (DINES, 1986, p. 97).
2 - Como melhorar a cobertura?
Qualificar a cobertura dos assuntos relacionados às minorias, a exemplo das pessoas com deficiência, este é o desafio a ser ultrapassado por aqueles que optaram em “abraçar” no jornalismo a causa da pessoa com deficiência. Como já dissemos, nem sempre o problema da abordagem é do jornalista, mas na falta de fontes seguras.
Em função disso, as instituições ligadas às pessoas com deficiência precisam estar preparadas para receber o profissional da imprensa, que nem sempre tem tempo para se informar de todos os detalhes sobre estas pessoas. No livro Mídia e deficiência: manual e estilo (1996), a imprensa (mídia) passa a ser vista pelos órgãos como parceira na construção de um mundo inclusivista. Algumas associações e órgãos voltados para a problemática da deficiência têm dado importantes passos para diminuir as barreiras entre o jornalista e as fontes. Já é possível na Rede Mundial de Computadores (Internet) baixar informações sobre leis, nomenclatura, entre outros temas, que possam melhorar o trabalho do repórter durante o período de coleta de informação e a própria produção da matéria.
Sites como o Bengala Legal (www.bengalalegal.com), o do Centro de Documentação e Informação do Portador de Deficiência (www.cedipod.org.br), Entre Amigos (www.entreamigos.com.br), DefNet (www.defnet.org.br), Rede Saci – Solidariedade, Apoio Comunicacional e Informação (www.saci.org.br), Surdos On-line (www.surdosol.com.br) e o Sentidos (www.sentidos.com.br), podem servir de suporte para tirar dúvidas sobre legislação, termos apropriados, indicação de pautas, fontes, pesquisas de dados, relatórios, e muito mais.
Hoje, também é possível encontrar atividades de algumas instituições preocupadas em qualificar o tipo de informação levada diariamente aos públicos dos meios de comunicação. Um exemplo foi o evento que a ONG Missão Criança de Aracaju, em parceria com o Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência, realizou no dia 30 de dezembro de 2004 ao oferecer uma oficina para estudantes e profissionais que atuam na imprensa sergipana, com o tema “Mídia e Diversidade – Como qualificar a cobertura sobre o tema Deficientes” (COMUNICADORES, 2004).
Sassaki (2003) lembra que entre as décadas de 1950 e 60, as publicações sobre deficiência se resumiam às festividades beneficentes e a alguns textos internos das instituições, publicados da mesma forma como eram enviados (SASSAKI, 2003, p. 153). O autor destaca também o fato de que o preconceito era muito acentuado e as instituições não demonstravam preocupação em educar os jornalistas:
(...) as formas como os textos tratavam o portador de deficiência passava ao leitor uma imagem de coitadinho, triste, inútil, assexuado, abandonado por Deus, trágico, doente etc. e nestes casos, as instituições raramente tinham a preocupação de ir aos profissionais da mídia para educá-los sobre a questão da deficiência para que as matérias fossem melhor elaboradas (SASSAKI, 2003, p. 154).
O jornalista, quando está envolvido na produção de uma matéria com tema “deficiência”, precisa observar os personagens sem preconceito, de forma que o leitor não veja como coitadinho. Se isto acontecer, certamente a forma do “bom jornalismo” e do “jornalismo social”, já abordada neste trabalho não foram respeitadas. Assim como esse, qualquer outro trabalho, deve ser encarado com a mesma seriedade, critérios de rigor e checar as múltiplas informações (VIVARTA, 2003, p. 37).
Quem pretende ingressar neste estilo de produção jornalística deve estar preparado para se deparar com inúmeras dificuldades e desbravar caminhos que poucos se arriscam em ingressar, talvez pela pouca abertura que se dá ao assunto. É necessário também ter a humildade, deixar-se invadir por novos conceitos e esvaziar-se de tantos outros preconceituosos, que ao invés de contribuir só irão acentuar ainda mais as diferenças.
A simples associação da lei na própria matéria poderia reforçar a cobranças da execução delas, que foram criadas para tornar os cidadãos iguais pelo menos perante as Leis. Dessa forma, a pessoa com deficiência, que muitas vezes acaba se acomodando com as dificuldades que encontra no dia-a-dia para se locomover em um grande centro, poderá observar que existem leis e que devem ser cumpridas tanto pelo governo, quanto pela sociedade, para que possa levar uma vida “normal”, dentro dos seus limites e sem constrangimento.
Uma matéria sobre o sistema de transporte coletivo na capital sergipana, mostrando as dificuldades vividas pelas pessoas portadoras de deficiência provocadas pela redução da frota adaptada, poderia levar a discussão se este é o modelo de sistema ideal para a realidade local e tantos outros que se forem observados podem dá excelentes matéria para a imprensa. Afinal de contas, não é difícil encontrar no dia-a-dia da cidade inúmeras barreiras, que acabam servindo de constrangimento para estas pessoas.
Desta forma, a atividade jornalística consegue assumir de fato a sua expressão social, ideológica e política através daqueles que avaliam os fenômenos, os acontecimentos e depois transformam em matérias apreciadas por toda a comunidade (HUDEC, 1981, p. 43).
Depois de tudo isso, é preciso destacar que, assim como está previsto na Lei, todos têm direito a informação e de qualidade, portanto, o ideal seria que as empresas jornalísticas também disponibilizassem pelo menos parte de sua produções na linguagem acessíveis as pessoas que utilizam a Língua de Sinais Brasileira (LIBRAS) e em braile (para as pessoas com deficiência visual) , somente dessa forma será possível cumprir com o que rege a Constituição Brasileira.
6 - Considerações Finais
Depois desta breve explanação sobre Jornalismo Inclusivo no Estado de Sergipe, resta a todos os profissionais de comunicação, em especial aqueles que militam no campo da produção das notícias, fazer uma reflexão do papel que vêm desempenhando no dia-a-dia.
Como na história do incêndio da floresta em que o beija-flor tenta apagar o fogo com algumas gotas d’água carregadas em seu bico é assim também que será o trabalho do jornalista frente às barreiras que ainda necessitam ser superadas e que ele sozinho não conseguirá apagar a ignorância social, mas o seu exemplo pode servir de mobilização a tantos outros e ganhar uma proporção tão grande, capaz de fazer a diferença.
Acredita-se também que é a partir de iniciativas como esta, pequenas, simples, mas de certa forma ousadas, que se pode enquanto profissionais da Comunicação dar a contribuição para a sociedade, com o compromisso de levar informação de qualidade e sem as barreiras do preconceito e da ignorância.
Com a reflexão a que o tema e este trabalho sugerem, espera-se que a comunidade formada por jornalistas do Estado de Sergipe, no seu dia-a-dia, aborde de uma forma compromissada, pelos menos aqueles que tiverem contato com este estudo, quando tiver em suas mãos uma pauta sobre “pessoas com deficiência”.
Tudo isso é pouco e pequeno para transformar a sociedade, porém se cada um fizer a sua parte em pouco tempo será possível chegar ao modelo ideal. O que para alguns pode ser “utopia”, para os aventureiros da sociedade inclusiva, é realidade. Basta acreditar, está preparados para receber as críticas, até mesmo tentando tirar daqueles que chegam com idéia negativas, cheias de preconceitos, algum aprendizado para que se possa acertar. Afinal de contas, não existe verdade absoluta. Mas tão somente aquela a que cada um acredita. Esse é só um passo, de milhares que devem surgir, mas tão simples com a atitude do beija-flor em apagar o incêndio da floresta com as gotinhas de seu bico. Quem cada jornalista seja um beija-flor.
REFERÊNCIAS
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BRASIL. Declaração de Salamanca. Brasília, DF. Disponível em: <http://www.mj.gov.br/sedh/dpdh/corde/decl_salamanca.htm>. Acesso em: 13 de mar. 2005.
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